Cariacica e o polígono proletário: espaço, trabalho e memória na modernização capitalista capixaba (1940-1960)

Igor Vitorino da Silva
Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor da Coordenadoria de Ciências Econômicas do Ifes - campus Cariacica.

"estar no mundo necessariamente significa estar com o mundo e com os outros"1

Introdução: A crítica ao isolamento periférico e a inversão do eixo analítico

Esse é um texto afetuoso e analítico, ele nasce das várias experiências que o autor teve com o objeto investigado, que se constitui, ao final, parte da sua trajetória de vida. Nesses termos, anunciando que se tratam de linhas implicadas pelo “tempo e pelo vento” que, talvez, não resultaram num texto equilibrado, crítico e minucioso, mas num testemunho aberto, que se apropria de uma política de narratividade de si e dos outros, que gostaria de compartilhar aprendizados e saberes nascido da escrita de si (Conceição Evaristo) atravessada pelo jogo externo dos reconhecimentos e identidades que construímos algo longo de nossas vidas, marcada por valores, sentimentos e experiências que nos afetaram, positiva ou negativamente, nos deixando compromisso ético e moral de não deixar desaparecer aquilo, ao final de tudo, nos torna efetivamente humanos: as memórias e desejo.

Por isso, seguimos a compreensão de Eduardo Pasos e Regina Benevides de Barros que nos apontam a importância do testemunho/narrativa e seu valor enquanto objeto cultural, político, social e, também, científico, ao revelar um lugar de fala (Djamila Ribeiro) e de poder (Sueli Carneiro) que orientam um projeto de interpretação sobre o passado, presente e futuro.

O crescimento urbano de Cariacica e sua crescente articulação com Vitória e Vila Velha, representaram uma das expressões espaciais mais complexas, contraditórias e significativas do desenvolvimento econômico regional no Espírito Santo ao longo do século XX. Longe de constituir um fenômeno isolado, um mero apêndice geográfico ou um “quintal” amorfo destinado ao marasmo residencial, a emergência desse território foi impulsionada, na materialidade do espaço, pelas diretrizes nacionais de industrialização, acumulação e modernização capitalista promovidas pelo Estado brasileiro (David Harvey, Henri Lefebvre, Raquel Rolnik, Rafael Cerqueira do Nascimento).

A análise em profundidade desse cenário exige uma inversão do eixo historiográfico tradicional. A modernização geográfica, urbana e técnica da Ilha de Vitória — frequentemente celebrada pela memória oficial por meio de extensos aterros, reformas sanitárias e do embelezamento de áreas seletivas — não teria sido materialmente possível sem a concomitante, articulada e contraditória produção de seu hinterland continental. Trata-se de um desenvolvimento geográfico desigual e combinado, em que a opulência e a infraestrutura concentradas no centro da capital demandaram a expropriação, o transbordo logístico e a retenção de uma vasta força de trabalho na periferia estuarina da Baía de Vitória (Edward Murphy, David Harvey, Luiz Cláudio Ribeiro).

Enquanto os setores de alta renda e os “notáveis” da política local consolidavam sua hegemonia nos quadrantes valorizados da capital, os trabalhadores formais e informais viram-se compelidos a cruzar as fronteiras insulares. Para escapar dos aluguéis proibitivos e da especulação imobiliária da ilha, essa massa proletária ocupou baixadas, morros, manguezais e terrenos de menor valor de troca nos municípios vizinhos. É nesse sulco histórico de marginalização, estratificação, resistência e trabalho que se gesta o Polígono Proletário — um complexo socioespacial intermunicipal que redefiniu a dinâmica regional capixaba entre as décadas de 1940 e 1950 (Loïc Wacquant, Edward P. Thompson, André Ricardo Valle Vasco Pereira).


1. A Trama Hidroviária e Rodoviária: A Densidade Histórica de Cariacica (1890–1930)

Para compreender a emergência do Polígono Proletário em meados do século XX, é necessário restituir a espessura cronológica das redes de circulação que interligavam Cariacica ao complexo econômico estadual desde o final do século XIX. A historiografia tradicional tendeu a ver a região continental como um vazio técnico até o “rodoviarismo”, ocultando uma densa malha intermodal anterior, essencialmente anfíbia (Maria da Penha Smarzaro Siqueira, Flávia Nico Vasconcelos, Luiz Cláudio Ribeiro).

Desde o período imperial, o território de Cariacica atuou como limiar de penetração e conexão entre a capital e o interior. Já na década de 1810, a “Estrada Nova de Rubim” estabelecia uma rota terrestre pioneira. Na década de 1870, a navegação a vapor consolidou linhas regulares ligando Vitória a Itacibá, Itaquari e Cariacica, estendendo-se pelos leitos dos rios Cariacica e Santa Maria da Vitória (José Teixeira de Oliveira, Maria Stella de Novaes).

Na virada do século XIX para o século XX, a Baía de Vitória e seus afluentes formavam um sistema hidroviário unificado. Itacibá e Porto Velho funcionavam como “hubs” de transbordo. Essa malha anfíbia preparou o terreno para a fixação dos eixos ferroviários, industriais e rodoviários do século XX, demonstrando que a centralidade circulatória de Cariacica foi construída de forma progressiva e endógena (Ueber José de Oliveira, Raymond Williams, Leandro do Carmo Quintão, Maria da Penha Smarzaro Siqueira, Luiz Derenzi, Léa Brígida Rocha de Alvarenga Rosa).


2. O arranco industrial e siderúrgico: a formação do polígono proletário (1940–1950)

A partir da década de 1940, o colapso da economia cafeeira no interior, a política de erradicação de cafezais e a orientação federal de industrialização por substituição de importações desencadearam um intenso fluxo migratório para a Grande Vitória. Dois marcos fundamentais consolidaram o Polígono Proletário: a expansão da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD, a partir de 1942), o desenvolvimento e complexificação do Porto de Vitória (Exportação de Minério) e a criação da Companhia Ferro e Aço de Vitória (COFAVI, 1942), também em Cariacica (Eliezer Batista, Hélio Jaguaribe, Ueber José de Oliveira, Jayme Karlos Reis Lopes, José Antônio Bof Buffon).

A COFAVI tornou-se o epicentro da laminação de aço regional. Somaram-se a ela as indústrias do grupo Buaiz em São Torquato, as fábricas de cal nas Caieiras e o Sabão Yóri em Santo Antônio. O Polígono — composto por localidades como Paul, São Torquato, Porto de Santana e Jardim América — concentrou um operariado multifacetado: metalúrgicos, ferroviários, portuários, pedreiros, serventes e trabalhadores informais (Edward P. Thompson, Carlos Alberto Feliciano, Marta Zorzal e Silva, Fernando Achiamé, Fernando Antônio de Moraes Achiamé).

Frente a ausência de políticas habitacionais estatais ou empresariais, a moradia foi estruturada por meio da autoconstrução nos morros e baixadas, configurando-se como um fato social total, em que se tensionavam o tempo da fábrica e o tempo da sobrevivência comunitária (Edward Murphy, Raquel Rolnik, Henri Lefebvre).


3. A presença passionista e o ativismo comunitário-religioso

A coesão social no Polígono Proletário não se explica apenas pela militância comunista, visível na Folha Capixaba e na greve de 1948 da CVRD. A Congregação da Paixão de Jesus Cristo (Padres Passionistas) desempenhou um papel central, territorializando cerca de 70% do espaço com paróquias em Paul (Vila Velha) e Jardim América (Cariacica) (Padre Félix Inglesi, Roy Wagner, Eduardo Viveiros de Castro, Orlandina Dalapícola).

O símbolo mais poderoso dessa fusão entre o sagrado e o operariado é a Torre da Igreja de Santa Maria Goretti, em Jardim América, erguida na década de 1960 sob a liderança do Padre Félix Inglesi. Em São Torquato, a Igreja de Nossa Senhora das Graças complementa essa paisagem. Essas centralidades funcionavam como eixos de articulação comunitária, abrigando associações de moradores, escolas e espaços de sociabilidade operária (Silvia Hunold Lara, Lauren Benton).


4. O Reordenamento Metropolitano: Da Crise dos Anos 1970 à Resiliência Logística

A partir do final dos anos 1960, o eixo dinâmico deslocou-se para a Serra com a inauguração do Porto de Tubarão (1966). A COFAVI entrou em crise e caminhou para a privatização. O Polígono perdeu parte de sua matriz fabril, consolidando-se como um território predominantemente residencial. Mesmo a construção da Segunda e da Terceira Ponte não reverteu completamente essa tendência (Ueber José de Oliveira, Neilaine Ramos Rocha de Lima).

Contudo, sua localização estratégica garantiu uma resiliência logística. Jardim América tornou-se um polo comercial, e o território reconverteu-se em uma centralidade terciária e de passagem, mantendo sua vocação circulatória histórica (David Harvey, Flávia Nico Vasconcelos).


Conclusão: Restituir a complexidade

Compreender Cariacica e o Polígono Proletário exige, como propõe Hannah Arendt, evitar julgamentos simplistas, reducionistas e preconceituosos. Não se trata de romantizar a pobreza nem de absolver erros, mas de reconhecer a plena humanidade dos sujeitos históricos — suas escolhas, contradições e resistências. A história do Espírito Santo não pode ser contada apenas pelos “grandes projetos” e seus heróis triunfantes. É preciso restituir a complexidade das experiências territoriais e sociais concretas, superando tanto a nostalgia quanto o desprezo pelo passado. Só assim será possível construir uma memória mais justa e ética, além de uma cidade mais inclusiva, governada pela responsabilidade intergeracional (Hannah Arendt, Hans Jonas, Jörn Rüsen, Rafael Cerqueira do Nascimento, Reinhart Koselleck). Como nos chama atenção Paulo Freire:

[...] o fato de me perceber no world, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta, mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história3

Dessa forma, terminamos com a afirmação de Fonseca complementando o horizonte filosófico e político de Paulo Freire e Ecléia Bosi do lugar a história local na vida dos sujeitos que a ela reivindicam:

“Ensinar e aprender a história local e do cotidiano é parte do processo de (re) construção das identidades individuais e coletivas, a meu ver, fundamental para que os sujeitos possam se situar, compreender e intervir no espaço local em que vivem como cidadãos críticos”4. (Fonseca, 2009, p. 123)

Dando visualidade literária às transformações enfrentadas por Cariacica que aponta a experiencia de modernidade por parte de Luiz Derenzi ao tecer um livro gracioso e cheio de imagem que revelam o aceleramento do tempo e dos ritmos na região da Cidade de Vitória que já faziam os anos 1960, quando o livro foi publicado, bem distantes da Vitória antiga dos anos 10 e 20, sentimento perda e saudades percorre a narrativa histórica, como também acontece na obra Cariacica Resumo Histórico de Omyr Leal [Imprensa nas gráficas da Escola Técnica Federal Espirito Santo/hoje Ifes, com apoio editorial de Renato Pacheco], e nos revela a sua Cariacica Antiga, tão distante do imaginário depreciativo e preconceitos pelo que foi vítima, na chamada pelos economista, segunda fase do desenvolvimento capixaba:

“[...]Foi quiosque de fama o de Florêncio Coelho, português re forçado, que tinha o hábito de adormecer os fregueses maçantes com soco lusitano: mão fechada, abarcando um peso de quilo. Bebia-se “cariacica”, “pernambucana” e “dois com goma” – cachaça com xarope. Comia-se lin guiça ou manjuba frita. O último quiosque desapareceu em 1925 159

[...]As pequenas pontes, construídas sobre estacas de coquei ro, dos clubes Álvares Cabral e Saldanha da Gama, serviam de amarração às lanchas, iates e barcaças à vela, de cabotagem, dos municípios litorâneos. Botes com nomes sugestivos e guarnecidos of tapetes esperavam passagei ros a tostão para Argolas, São Carlos,1 Porto Velho ou visitas a bordo. Car regadores de toalhas barradas de crochê, enroladas ao pescoço, charlavam nos quiosques à espera de carretos. Canoas do Marinho, de Cariacica e do Lamarão vendiam lenha, frutas, caranguejos, cal, tijolos, areia e água.” (166)
“As bananas da terra de Cariacica e Mangaraí eram famosas. Nas es quinas da avenida da República e Presidente Pedreira, estacionavam os ta buleiros de doces feitos por Maria Tagarro e Maria Saraiva, esmerando-se cada uma na melhor apresentação e capricho de suas guloseimas. O preço das unidades variavam de um a dois vinténs. A rua Primeiro de Março, enladeirada, com seu comércio forte, tinha o prédio mais alto da cidade, residência do Sr. Augusto Cruz, com três pavimentos em frente à sua casa comercial”. ( 166 )

...Para vencer as deficiências técnicas, contratou, com o notável engenheiro paulista Augusto Ramos, o projeto e a construção do abastecimento de água e esgoto, assim como da hidroelétrica do Jucu. Nas controvérsias naturais em empreendimentos dessa ordem, Jerônimo Monteiro busca sempre autoridades para decidir. Assim foi quando da escolha do manancial de água, em que as opiniões se dividiam pelo Formate, em Viana, ou Duas Bocas, em Cariacica.”

...O progresso caminhou em todo o estado. A agricultura e a pecuária receberam estímulos preciosos, com sementes selecionadas, uso de máquinas, reprodutores de raça, e os lavradores com estágios gratuitos na Fazenda Modelo, em Cariacica. A distribuição de terras e o desmembramento de sesmarias incultas trouxeram mais elementos ao cultivo dos campos.”5

Nessa prosa carregada de sentimento de perda e nostalgia da Vitória antiga, Luiz Derenzi termina a narrativa angustiadamente deixando um vaticínio/mensagem para as futuras geracoes da cidade de Vitória que crescia quase que antecipando as questões metropolitanas que surgiram nos anos 1970 e 1980 (Jonathan Telles, Aurélia Hermínia Castiglioni, Érika de Andrade Silva Leal):

“Vitória, agora, é a cidade do minério, do café, do cacau e dos últimos toros de madeira de lei, de limusines conduzidas por moças, que discutem psicanálise e sociologia.

[...]Urge disciplinar-se o desenvolvimento da cidade com um PLANE JAMENTO INTEGRAL, correlacionando todos os valores econômicos e sociais: porto, Companhia Vale do Rio Doce, indústrias, terminais rodoviá rios, comércio, universidade, abastecimento, bairros residenciais, de modo a transformar a cidade num centro de progresso e de vida humana. Cidade é órgão vivo. Seu crescimento obedece a uma morfologia específica, concernente à função primordial. A ilha está ultrapassada e o problema esbarra na pluri-municipalidade convergente ao porto. Mas não se deve esquecer o determinismo geográfico. É indispensável uma aliança intermunicipal, de caráter urbanístico e tributário, entre os municípios de Serra, Vila Velha, Viana e Cariacica. Toda a área, convergente ao porto, deve obedecer a um só diploma legal, pois faz parte do mesmo todo, uno e indivisível, de uma grande cidade, em futuro próximo, a despontar no horizonte. Rio, 23 de maio do ano de 1961 – 426° do povoamento do solo espírito-santense”6

1 “estar no mundo necessariamente significa estar com o mundo e com os outros” (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 34).

3 [...] o fato de me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele. Afinal, minha presença no mundo não é a de quem a ele se adapta, mas a de quem nele se insere. É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história (FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 55. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2017, p. 53).

4 “Ensinar e aprender a história local e do cotidiano é parte do processo de (re) construção das identidades individuais e coletivas, a meu ver, fundamental para que os sujeitos possam se situar, compreender e intervir no espaço local em que vivem como cidadãos críticos” (FONSECA, Selva Guimarães. Fazer e ensinar História. Belo Horizonte: Dimensão, 2009, p.123).

5 [...] O progresso caminhou em todo o estado. A agricultura e a pecuária receberam estímulos preciosos, com sementes selecionadas, uso de máquinas, reprodutores de raça, e os lavradores com estágios gratuitos na Fazenda Modelo, em Cariacica. A distribuição de terras e o desmembramento de sesmarias incultas trouxeram mais elementos ao cultivo dos campos.” (DERENZI, Luiz Serafim. Biografia de uma ilha. 3º ed. Vitória: PMV & Secretaria Municipal de Turismo, 1995, p. 159, p. 166, p. 189, p.181).

6 [...] Urge disciplinar-se o desenvolvimento da cidade com um PLANEJAMENTO INTEGRAL, correlacionando todos os valores econômicos e sociais: porto, Companhia Vale do Rio Doce, indústrias, terminais rodoviários, comércio, universidade, abastecimento, bairros residenciais, de modo a transformar a cidade num centro de progresso e de vida humana. Cidade é órgão vivo. Seu crescimento obedece a uma morfologia específica, concernente à função primordial. A ilha está ultrapassada e o problema esbarra na pluri-municipalidade convergente ao porto. Mas não se deve esquecer o determinismo geográfico. É indispensável uma aliança intermunicipal, de caráter urbanístico e tributário, entre os municípios de Serra, Vila Velha, Viana e Cariacica. Toda a área, convergente ao porto, deve obedecer a um só diploma legal, pois faz parte do mesmo todo, uno e indivisível, de uma grande cidade, em futuro próximo, a despontar no horizonte. Rio, 23 de maio do ano de 1961 – 426° do povoamento do solo espírito-santense” (Idem, p.121).


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 7. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 34
Disponível em: <>.
Acesso em: .
PASSOS, Eduardo; BARROS, Regina Benevides de. Por uma política da narratividade. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015. p. 150-171, p. 151
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 55. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2017, p. 53
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FONSECA, Selva Guimarães. Fazer e ensinar Historia. Belo Horizonte: Dimensão, 2009, p.123
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DERENZI, Luiz Serafim. Biografia de uma ilha. 3º ed. Vitória: PMV & Secretaria Municipal de Turismo, 1995, p. 121, p. 159, p. 166, p. 189, p.181
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